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::.. CARNAVAL 2001 - G.R.E.S. IMPERATRIZ DA PAULICÉIA................................
FICHA TÉCNICA
Data:  25/02/2001
Ordem de entrada:  2
Enredo:  Real ou Surreal?
Carnavalesco:  Luiz Marques Cipione
Grupo:  2
Classificação:  7º
Pontuação Total:  184,5
Nº de Componentes:  590
Nº de Alegorias :  ,
Nº de Alas :  7
Presidente:  Maria Aparecida Ferreira da Silva - "Cida"
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  Mestre Zé Bola e Mestre Jorge Favela
Intérprete:  Fred
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  não consta
Mestre-Sala:  Fred
Porta-bandeira:  Janete
SAMBA-DE-ENREDO

SANTA BÁRBARA
COMPOSITORES: ADEMIR/ EMERSON BAIANO

 

EU SOU AMOR, EU SOU IMPERATRIZ

O MEU SONHO É IGUALDADE

ALEGRANDO A PAULICÉIA

ISSO É FELICIDADE

 

A CADA PLANO UMA ILUSÃO

DINHEIRO NA MÃO... POEIRA

QUEREM DE QUALQUER MANEIRA

ENGANAR ESSA NAÇÃO

VEM ENTÃO UM DOM QUIXOTE

PROMETENDO GOLPEAR A INFLAÇÃO

 

MEU POVO SOFRIDO FOI SURPREENDIDO

MAIS UMA VEZ FICOU NA MÃO

 

EIS UMA NOVA ESPERANÇA

NASCEU A CRIANÇA

SURGIU O REAL

TUDO COMPRA, TUDO PODE

DÓLAR ARTIFICIAL

COISAS DE UM MUNDO NOVO

DIZEM QUE É GLOBALIZAÇÃO

NOVAMENTE É REPROVADO

MEUS PAÍS SUCATEADO

OUTRA VEZ CANTA O REFRÃO

 

TÁ FALTANDO COMPREENSÃO... DIGNIDADE

A FORÇA DO VIL METAL

TRANSFORMANDO A HUMANIDADE

 

UMA NUVEM PASSAGEIRA

REVELANDO A VERDADE

SEM TETO, SEM TERRA

NÓS FICAMOS NA SAUDADE

PRA ESPANTAR A TRISTEZA

DEI A LINHA NA PIPA SOLTEI O BALÃO

 

GIRA BAIANA É, INSPIRA O MEU SONHAR

ABRE O CAMINHO PRO MEU CAMINHAR.

 

SINOPSE DO ENREDO
O Grêmio Recreativo
Autores: Otaviano Amantea e Edvaldo Galdino

 

Tudo começou (ou continuou) quando F.H.C. (Fernando Henrique Cardoso), em junho de 1994, acreditando nos efeitos da fantasia de Dom Quixote que trajou, provocou, atacou e golpeou a inflação.

A nação, esse entre difuso e sem rosto, naquele momento gritou com euforia apesar da voz quase mórbida. Pra variar ainda trajava o que pensa ser uma fantasia glamorosa, mas é sim sua veste diária e definitiva, a roupa surrada chamada esperança.

De início a igualdade Dólar e o recém nascido Real seduziu, contagiou. Atrelado a sorte do momento que a economia mundial vivia, a mídia e consequentemente todos renderam-se e se deixaram contagiar num "ufanismo oficial".

Olhos fecharam-se, e abriram-se escancaradamente as cancelas das importações. Então tudo passou à vontade: de cerveja à eletro doméstico, até tecido pra vestir nubente.

Ante a globalização, sem qualquer complacência em iludir o distante terceiro mundo, as indústrias brasileiras confinaram-se esquecidas como maquinário sucateado. E aqueles que conseguiram desiludiram-se desse novo termo, concluíram que a globalização nada mais é que sinônimo de poder econômico.

E continua a eterna luta da supremacia máxima do forte sobre o fraco. Qual a chance do fraco sob o forte, que sem compaixão substitui punhos e músculos por moedas de som até musical - Dólar, Marco, Libra, Franco...

E o Real? Tenta alfabetizar-se mas não passa de aluno repetente. Mas tem que manter a postura (comprou um diploma de faculdade em entidade que ministra curso por correspondência em finais de semana).

Ei Real! - fala alguém - A realidade é outra, preste atenção para não cair. O Real faz ouvidos moucos é, lógico, chegam as crises (elas são inevitáveis como o fluxo das marés, as fases da lua e outros fenômenos naturais) asiática e mexicana e, mais recentemente a Russa, pondo fim ao conchavo midiático e às chicanas.

Empresas centenárias foram fechadas, fundidas ou simplesmente vendidas em nome da produtividade, dos programas de qualidade, de reengenharia (ai, cruz credo, toc-toc-toc, mangalô três vezes) a curva do desemprego virou balão em junho, pipa em agosto... Acumulando desgostos, enfraquecendo os punhos, desfigurando perspectivas e rostos.

A classe média, a velha e burguesia gorda que sempre, bem ou mal, vivia no reino da fantasia, aprendeu a fazer contas no supermercado. Até motel virou artigo de luxo neste país antes fictício e priapesco.

A âncora cambial, que deixou fundeado na estagnação o navio Brasil, foi-se e o sonho artificial acabou-se. Mas o sonho real (Real à parte), o da consciência coletiva transformou-se em voz de comando. O M.S.T. (Movimento Sem Terra) ganhou adesão dos Sem Teto, dos Sem Comida, dos Sem Emprego, dos Sem Nada a Perder - para fazer ouvir os que têm muito a perder, os sem vergonha... e a cidade na motivação teve maior união.

A balela do Real moeda forte desfez-se diante da real desvalorização. O que não desfez-se foi a agonia do dia-a-dia do pai de família que trocou as bandeiras do aumento salarial por mordaças pela manutenção do emprego. Tampouco desfez-se a luta (vã) contra as privatizações desenfreada, que entregou o melhor que o Estado conseguiu construir em cinco séculos face às seqüelas de um malfadado plano de 6 anos.

O país fez quinhentos anos, como retroagiu, em "comemoração" tentaram até trazer uma Nau de Portugal que não chegou.

Puseram o Exército para bater em índios, estudantes e professores. Fecharam Porto Seguro, pintaram as guias, as janelas, mas não colocaram o fecho na tramela por onde foge a soberania. F.H.C. reeleito sempre do mesmo jeito. Se no tempo de Collor havia P.C. Farias que fez "disso aqui" o templo da fancaria, com F.H.C. temos E.J.

E se houve até Sérgio Naya, Luiz Estevão, Nicolau Laulau, falso "herói". Há ao limiar do novo século e milênio a consequência que esse povo secularmente proscrito das decisões, à velha roupa, esperança, junta os endereços da consciência, da decisão, e da mesma forma que samba na passarela, com o pincel da ação ainda dará sentido a essa aquarela.

O G.R.E.S. Imperatriz da Paulicéia, vem mais uma vez como exemplo de dedicação e humildade, retratar a situação em que nós brasileiros nos encontramos, e pedimos uma atenção especial ao Sr.(a) jurado(a) para observar as partes grifadas, pois as mesmas tornar-se-ão fantasias e alegorias, ilustrando nosso carnaval que já faz parte da mais bela tradição, da mais pura manifestação popular.

 

FANTASIAS


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