::.. CARNAVAL 1998 - G.R.C.E.S. UNIDOS DE GUAIANASES................................
FICHA TÉCNICA
Data:  23/02/1998
Ordem de entrada:  2
Enredo:  O Conto do Vigário
Carnavalesco:  Marquinhos J.B.
Grupo:  1A
Classificação:  10º
Pontuação Total:  135,5
Nº de Componentes:  não consta
Nº de Alegorias :  ,
Nº de Alas :  não consta
Presidente:  Luiz Carlos Ribeiro
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  Mestre Élcio
Intérprete:  Zé Carlos
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  não consta
Mestre-Sala:  não consta
Porta-bandeira:  não consta
SAMBA-DE-ENREDO
VERSÃO ESTÚDIO

UNIDOS DE GUAIANASES
COMPOSITORES: JOSÉ CARLOS/ LALICO/ FAUSTINO/ CASTILHO/ ELI/ DU/ MARÇAL/ NALDÃO/ MANOEL

 

GUAIANAZES HOJE ENCANTA

O NOSSO POVO DE ALEGRIA ILUMINADO (VEM, VEM, VEM)

VENHA COM A GENTE MEU IRMÃO

SÓ FIQUE ESPERTO OLHE O CONTO DO VIGÁRIO

 

O PORTUGUÊS MUITO MALANDRO

O CARIOCA FACILMENTE ENGANOU, Ô, Ô, Ô

DIZIA TER TIO MUITO RICO

E QUE O DINHEIRO DO HOMEM TODO HERDOU

COMO MUITOS NA HISTÓRIA

COM A FÉ DO POVO DEITOU E ROLOU

FINGIRAM POR FOGO NA ÁGUA

E DO ÍNDIO O SEGREDO SE ARRANCOU

 

DO VALONGO PRA CORRENTE

ESSE NEGRO VALE OURO

NA CABEÇA CHICO REI ESCONDIA SEU TESOURO

 

HOJE, A COISA SE DIVERSIFICOU

TEM  POLÍTICO, CAMELÔ

JUIZ CAMBALACHEIRO E O FALSO DOUTOR

FICOU DOENTE O PLANO NÃO COBRE NÃO

QUER PLANTAR NÃO TEM A TERRA, QUEM É DONO DESSE CHÃO

 

SAI PRA LÁ 171

ME DÁ O QUE É MEU

OLHA EU NÃO TO MALUCO

VEJA O CHEQUE QUE ME DEU.

 

SINOPSE DO ENREDO
O Grêmio Recreativo
Autores: José Carlos e Geraldo

 

PROPOSTA

A expressão é antiga, mas poucos conhecem o seu significado. Falar do "Conto do Vigário" é falar da própria história do Brasil. São truques, manhas e cambalachos que trouxeram e ainda trazem vantagens para muita gente. Vigaristas, 171's, salafrários, malandros e falsários misturam-se ao carnaval para viajar na imaginação do povo. É assim que chega a Unidos de Guaianases, em verso, prosa... e muita lorota.

DESENVOLVIMENTO

O português Antônio Teodoro desembarcou no Rio de Janeiro, em 1814, elegantemente vestido, com uma fala macia e maneiras educadas. Dizia-se herdeiro único de um tio padre que acabar de falecer na "terrinha". Dono de fabulosos tesouros, aos novos amigos cariocas contou que teve de abandonar Portugal pois estava sendo perseguido por parentes despeitados e gananciosos excluídos do testamento. Um procurador cuidava dos problemas legais e em breve, jurava ele, todo aquele tesouro lhe chegaria às mãos.

Meses se passaram e as riquezas não chegavam. Antônio dizia aos amigos que a demora lhe causava dificuldades. Diversas famílias se ofereceram para ajudá-lo, adiantando-lhe dinheiro, também foi homenageado com lautos banquetes em terra fluminense.

Depois de um ano, com Antônio vivendo bem, a custa de amigos, eles resolveram investigar e descobriram que Antônio Teodoro era conhecido trapaceiro da Rua do Ouro, em Lisboa. Ele foi preso, mas o golpe que aplicou chegou até nossos dias com o nome que ganhou na época: Conto do Vigário!

Esta história se passou no século 19, mas outros contos do vigário aconteceram muito antes do golpe aplicado pelo português. No descobrimento das terras brasileiras, por exemplo, Portugal tomou posse deste torrão considerado "desabitado". Mas... e os índios? Não eram os donos, já que era os primeiros habitantes?

Terras tomadas, terras desbravadas.

Quando o Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva encontrava-se entre os índios de Goiás, tentou sem resultado, obter informações acerca das minas de ouro existentes nas cercanias em que os indígenas sabiam a localização, mas não queriam contar. Foi então que o Bandeirante teve uma idéia genial: chamou-os e, colocando aguardente numa vasilha, ateou fogo. Os silvícolas ficaram espantados por ver líquido, que julgavam ser água, transformando-se em... fogo! Bartolomeu ameaçou-os, então, dizendo que se não lhes contassem o local das minas queimaria todos os rios das redondezas. Apavorados, os índios indicaram o local e ainda o apelidaram de "Anhanguera" ou seja"Diabo Velho".

Cansados de enganar nossos pobres indígenas, os portugueses foram bem longe: África.

Embarcando em solo africano, no século XVI, os lusitanos iludiram aquele povo, presenteando-lhes com espadas, espelhos e bijuterias, avisando que poderiam obter muito mais no novíssimo continente americano, em confortável e rápida viagem pelo oceano. Seria um cruzeiro marítimo? Não, era apenas um conto do vigário, já que vieram empilhados no navio negreiro "Valongo".

Mais tarde veio o troco.

A febre do ouro assolava as fantásticas terras de Minas Gerais. Tamanha era a riqueza que fidalgos e aventureiros não paravam de chegar. As bateias estavam nas mãos dos negros escravos, cujo castigo era a morte, no caso de esconderem qualquer grama do precioso metal. Mesmo assim, espertos, depositavam o pó de ouro em suas carapinhas e posteriormente o retiravam, em local seguro, com água. Muitos negros conseguiram a sua alforria através deste processo.

Os portugueses eram os reis da malandragem. Em 1808 chegava a corte real ao Brasil, com um séqüito de 15 mil pessoas, no Rio de Janeiro. A cidade não estava preparada para receber tanta gente; foi quando surgiu a idéia: desalojar boa parte da população cedendo suas residências para o povo luso. Nas fachadas das casas colocaram as iniciais "PR", ou seja, "Príncipe Regente", mas o povo revoltado batizou-as como "prédio roubado" ou "ponha-se na rua"...

A independência do Brasil, nos moldes históricos, foi uma outra roubada. O fato aconteceu por circunstâncias econômicas, já que não restava muita coisa para ser aproveitada em nosso torrão. O grito da independência já era esperado pela Família Real.

Ah!... mas tem o conto das multinacionais!

Como se sabe, o solo brasileiro constitui-se num dos mais tentadores cofres de riquezas do mundo, e foi assim que na Carta Constitucional de 1934 (Governo Getúlio Vargas) decretava-se abertas as portas da nação para a implantação de empresas multinacionais; principalmente as norte-americanas, a quem devemos nosso respeito e muito dinheiro também.

Foi assim que o Brasil cresceu e acabou criando os seus próprios "contos do vigário", tem aquele do plano de saúde recheado de carências, poucos recursos e altas taxas de mensalidade. No conto dos "exploradores da fé" existe a promessa de um lugar no céu, por um preço bem acessível. Quem já ouviu o da Reforma Agrária, certamente observou que mais da metade do país não é efetivamente ocupada, mas essas terras tem dono... coitadinho do "sem terra". O conto da inflação é um dos mais longos, coisas que o povo até já sabe. Engraçados são os juízes de futebol - ganha o jogo quem pagar melhor, este deve ser o "conto do apito", e para terminar, nada como os alegres muambeiros e suas falsas mercadorias, trazendo do Paraguai o "conto do gato por lebre".

 

FANTASIAS


No h contedo para este opo.



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