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INTRODUÇÃO
Se alguém lhe perguntar quem inventou o "automóvel", o que você responderia???
Se responder qualquer nome, está errado, pois o automóvel, tal como a humanidade, é fruto de um processo evolutivo, sendo seus predecessores o carro puxado a cavalos, no qual foi montado um motor a vapor, que inventaram um jeito de parar, aumentar a potência, fabricar em série...
A Tom Maior embarcará na avenida, mais uma vez de forma alegre, irreverente e sutil, com muito humor, contando a magia de uma máquina que consegue transportar a qualquer tempo, pois para milhões de criaturas - professores, ministros, operários, comerciantes, poetas - para mulheres e crianças de todas as religiões, raças e nacionalidades, o automóvel tornou-se "um ninho de sonhos e desejos", um ser amado de aço e cromo. A realização do desejo de estar, pelo menos por instantes, livre das limitações que o tempo e o espaço nos impõem, de dominar a máquina, é o alicerce, a base sobre a qual o automóvel assenta na sua significação atual, fascinando à seus mais diversos usuários, tornando-se até em objeto de coleção.
HISTÓRICO
No século XIX, surgem as primeiras carruagens sem cavalos, movidas a vapor e tão barulhentas e lentas, que desanimariam qualquer um...mas, os inventores são "pessoas" que pertencem a uma categoria diferente dos outros simples mortais, pois são persistentes, e graças a essa persistência é que a partir de 1830 surgiram os primeiros veículos alimentados por bateria, e, quando da sua primeira aparição nas ruas como engenho resfolgante, atiraram-lhe pedras e recorreu-se às autoridades competentes, exigindo que livrassem a humanidade de tamanho monstro.
Em São Paulo, no ano de 1893, que na época contava com 200.000 habitantes, em plena rua Direita, o povo parava para ver, assustados e ao mesmo tempo encantados, um carro aberto com rodas de borracha, era um automóvel a vapor com caldeira, fornalha e chaminé, levando dois passageiros. O dono do desengonçado veículo era Henrique Santos Dumont, irmão do "pai da aviação", primeiro dono de automóvel no Brasil e também o primeiro motorista a reclamar dos buracos da cidade.
Também no Rio de Janeiro em 1897 o automóvel já causava furor. José do Patrocínio, famoso homem das letras brasileiras, vivia a se gabar de seu maravilhoso automóvel movido a vapor, passeando pelas ruas esburacadas do Rio, causando imensa inveja no compatriota Olavo Bilac. Certa vez, José do Patrocínio resolveu ensinar o amigo a dirigir seu carro, e Olavo Bilac conseguiu arremessá-lo de encontro a uma árvore na Estrada Velha da Tijuca. José do Patrocínio ficou muito chateado, mas Bilac, com uma gargalhada comemorava o fato de ter sido protagonista do primeiro acidente automobilístico no país!
Assim nascia a história do automóvel no Brasil, com muito humor para variar...
A MÁQUINA CONQUISTA O HOMEM
Em 1900, o então prefeito Antonio Prado institui leis regulamentando o uso do automóvel na cidade, e se no início era apenas a distração de alguns excêntricos e solitários, após caminho aberto, torna-se o brinquedo de milionários e o sonho dourado de milhões, e à medida que, de década em década o sonho dourado ia se convertendo em realidade, o automóvel converteu-se em fator econômico cada vez mais importante, daí então a evolução e curiosidades sobre o automóvel não pararam de surgir... começava uma história de paixão que se iguala ao "time do coração", a "religião", "a escola de samba" e ao "grande amor", talvez porisso o célebre ditado "mulher e carro não se empresta!' pois o carro para o brasileiro tornou-se muito mais que um meio de transporte, é uma parte da vida de cada um.
No carnaval, o automóvel também teve seu triunfo. Juntavam multidões na Av. Paulista, no carnaval de "bacanas" onde "melindrosas e almofadinhas" desfilavam na famosa brincadeira do corso, todos felizes em cima de seus automóveis enfeitados, nas famosas batalhas de confete e serpentina, numa carreata onde "seringas" espalhavam lança-perfume de felicidade. Este foi também o início de nosso carnaval, na época privilégio de poucos...
FOI DADA A LARGADA
As novidades não param, e a primeira corrida automobilistica ocorrida no Brasil, foi em São Paulo, no dia 26 de julho de 1908, no Parque Antarctica. A multidão já pagava pela oportunidade, e aguardava ansiosa pelo vencedor do "Circuito de Itapecerica", que foi o primeiro da América do Sul, o paulista "Sylvio Penteado" com um FIAT de 4 cavalos com uma média de 50km/h, sendo que neste mesmo ano foi criado o Automóvel Clube Paulista, para estimular o automobilismo na cidade, e na mesma época no Rio de Janeiro é criado o Automóvel Clube do Brasil, e com o surgimento das corridas automobilísticas, no decorrer do tempo puderam existir nossos grandes heróis, fascinados pela máquina de quatro rodas e com muito patriotismo defendendo nossas cores. Emerson e Cristian Fittipaldi, Nelson Piquet, Rubinho Barichello e o saudoso e eterno Ayrton Senna entre tantos outros que fazem o pit stop em nossos corações, existindo hoje diversas categorias e circuitos, provando que a tecnologia é constante em suas passagens quase que invisíveis pela grande velocidade hoje alcançada...
O automóvel merece, sem dúvida, um lugar de destaque entre os fatores que marcaram as mudanças sociais do nosso século, pois ele modificou profundamente o sistema produtivo, os orçamentos familiares, os hábitos de vida, o tempo de lazer e, de certa forma, até mesmo o modo de pensar e de sentir de cada cidadão.
É como se o homem, ao se tornar motorizado, assumisse um novo código moral, fundado na agressividade e na competição, ou seja, a posse dessa máquina significaria uma repentina superioridade, uma garantia de força, como acontece no caso dos talismãs e dos fetiches.
O presidente Getúlio Vargas, estabeleceu que só poderiam entrar no Brasil automóveis desmontados e sem componentes que já fossem fabricados aqui, sendo este o primeiro grande impulso para a nacionalização e formação de uma indústria automobilística no Brasil.
O automóvel nos traz empregos e divisas, esse acontecimento fez com que cada vez mais ampliasse sua utilização, surgindo diversas marcas e servindo até para novas profissões modelos, populares ou de luxo, surgirem, como o "chauffer", palavra importada assim como os primeiros motoristas particulares, e o primeiro carro de praça, taxi hoje, surgiu no Rio de Janeiro através do ex-colcheiro Felisberto Caldeira.
No decorrer do tempo, muitas mudanças, avanços e tecnologia fizeram com que o automóvel tornasse algo de real necessidade, conquista a fama, e é importante lembrar que ele também virou super star em filmes e desenhos animados, onde destacam-se heróis e vilões... Quem não se lembra do "Herb" - Se Meu Fusca Falasse, grande personagem atrapalhado e brincalhão, o qual mostrou que a paixão e popularidade do fusca não era somente no Brasil, e falando em popularidade, a Corrida Maluca teve seu grande crédito durante muito tempo com seus diversos personagens, "todos motorizados", como Penélope Charmosa, Dick Vigarista, a Quadrilha da Morte, etc...
Apesar do crescimento e das conquistas do carro no Brasil, é importante lembrar que, quando Collor esteve na presidência da nação, caíram as barreiras alfandegárias e o Brasil foi literalmente tomado pelos carros importados, acirrando a concorrência no mercado automotivo, uma vez que nosso ex-presidente achava os nossos carros nacionais verdadeiras carroças, o que foi de certa forma "rebatido" e "contrariado" por seu sucessor, o presidente Itamar Franco, que reativa a fabricação do "amado" Fusca, relançando-o com muita festa e grande sucesso...
SINAL DE ALERTA
Com a amplitude de marcas e a popularização ainda maior, por conta da disputa de mercado, torna-se cada vez mais fácil obter um automóvel, e por necessidade ou hobby, todo mundo quer ter o seu automóvel, e isto está ficando cada vez mais complicado, pois não existe mais espaço para tantos automóveis. As ruas estão ficando cada vez menores, e hoje os carros já disputam com os pedestres, o pouco espaço existente, além é claro dos "navalhas", aprontarem muita confusão. Um mundo conturbado em engarrafamentos, semáforos, buzinas, placas de sinalização "poluem" nossa cidade, juntamente lógico da liberação excessiva de gases poluentes dos envenenados motores... no horário do pico então é uma loucura, quilômetros de congestionamentos... onde é que vamos parar?!? Dificilmente sairemos do lugar, pois se não há caminho por terra, talvez a solução ideal seja pelos ares, assim como no desenho animado dos "Jetsons", pois num futuro não tão distante, somente haverá espaço no ar, e se o automóvel é a máquina de todos os tempos, provavelmente será esta a máquina que nos levará, de forma bem mais moderna e arrojada, para o futuro que existe apenas em nossa imaginação, e esperamos que essa máquina não venha a dominar o homem, pois seria a invenção dominando seu inventor...
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