::.. CARNAVAL 1997 - G.R.C.E.S. NENÊ DE VILA MATILDE................................
FICHA TÉCNICA
Data:  08/02/1997
Ordem de entrada:  10
Enredo:  Narciso Negro
Carnavalesco:  Tito Arantes
Grupo:  Especial
Classificação:  3º
Pontuação Total:  298,0
Nº de Componentes:  não consta
Nº de Alegorias :  não consta
Nº de Alas :  não consta
Presidente:  Alberto Alves da Silva Filho - "Betinho"
Diretor de Carnaval:  não consta
Diretoria de Harmonia:  não consta
Mestre de Bateria:  Mestre Claudemir Romano
Intérprete:  Dom Marcos
Coreógrafo da Comissão de Frente:  não consta
Rainha de Bateria:  não consta
Mestre-Sala:  Jailson
Porta-bandeira:  Maria Inês
SAMBA-DE-ENREDO
VERSÃO ESTÚDIO

NENÊ DA VILA MATILDE

COMPOSITORES: VADO/ ZÉ CARLOS/ MIKAL/ NILTON DA FLOR/ MARCO/ ANTONIO/ DOM MARCOS

 

É manhã

Vindos da ÁfriCa

Exportados sem querer

A negritude está em festa

Nenê, sou mais você

Reluziu pelos continentes

Se destacou, se fez presente

Da cana as minas de ouro

Sou Herança de zumbi

sou liberdade, sou povo

 

Sou negro, sou arte

O estandarte do carnaval

Sou baluarte da cultura nacional

 

Hoje o negro sim

No esporte, na cultura e religião

É o orgulho deste mundo inteiro

Ademar foi o primeiro

Rei Pelé, eterno campeão

Musicalmente temos luz

Salve Clementina de Jesus

Um canto livre ecoa pelo ar

Vaidosa minha vila vai passar

No lago da reflexão

Espelhando a miscigenação

É tão sublime, é divinal

Com sutileza

Fiz valer meu ideal

 

O Negro é amor (amor, amor)

Negro é capaz

O negro é lindo, evoluindo

sempre mais.

 

SINOPSE DO ENREDO
O Grêmio Recreativo
Autor: Roberto Telles de Souza

 

O que se relata é a saga do negro em relação ao Ocidente. De sua escravização após o rapto da África, até o início do resgate da auto-estima. O mito do Narciso grego é o suporte épico para ler todo o processo. Como se sabe, Narciso apaixonou-se pela beleza da própria imagem, ao mirar-se no espelho das águas e ali morreu transformando-se na flor que recebe o seu nome. A leitura que aqui se faz não é a mesma de Freud, que vê o narcisismo como um complexo psicológico de desequilíbrio. Trata-se sim, do resgate da dignidade subjugada, pois para se dominar uma raça o algoz quebra toda as reservas morais e de auto-respeito daqueles que se pretende dominar. Esse talvez seja o maior mal da escravidão, enquanto o processo mental e não como alguns pensam, que a injustiça reside nas algemas e nas correntes. É chegada a hora do negro colocar-se em todos os lugares e não na odiosa condição de "colocar-se em seu lugar".

No trabalho, na dança, na música, no esporte, enfim, em todos os campos a negritude se faz presente, dando mostras vivas de que o preconceito racial é influenciado. O preconceito é antes de tudo social, pois nega-se àqueles que constituíram a riqueza brasileira o respeito e sobretudo, gratidão. Sim, ingrato é o país que não reconhece o sustentáculo de sua maioria laboriosa, mas ainda segregada.

Nesse sentido, o enredo é uma leitura crítica da história da raça negra no Brasil. Todavia, ao invés de se mostrar o negro como escravo submisso e anônimo, mostra-se em sua real grandeza de trabalhador infatigável, inspirador da música e coreografia, senhor absoluto do espaço, na magia esportiva.

Narciso Negro trata o negro olhando para si mesmo, não como pária social na condição de encarcerado, vagabundo, malandro, vítima indefesa do cruel processo de exclusão social, mas, antes de tudo, o enredo apresenta uma visão alegre, crítica e humorada do negro, orgulhoso de seu passado, consciente de seu presente e otimista em relação a seu futuro.

Ao se olhar com dignidade e com orgulho, o negro resgata sua auto-imagem e se conscientiza de que a condição de oprimido não é só sua, mas de legiões intermináveis de seres anônimos, independente de coloração. Narciso Negro é uma história escrita pela espécie humana, ignorada por muitos, vergonhosa para uns poucos e proposta de esperança para uns outros tantos que almejam a construção de um mundo melhor e mais justo.

A Nenê tem o justificado orgulho de apresentar: NARCISO NEGRO

NARCISO NEGRO

"Mesmo depois de abolia a escravidão

Negro é a mão

De quem faz a limpeza

Lavando a roupa encardida

Esfregando o chão

Negra é a mão

É a mão da pureza

Negra é a vida

Consumida pelo fogão

Negra é a mão

Nos preparando a mesa

Limpando as manchas do mundo com água e sabão

Negra é a mão

De imaculada nobreza."

(Gilberto Gil)

As vozes de África emudecem quando a insaciável e faminta boca mercantilis... através de seus dentes rudes, dilaceraram a liberdade das savanas. Caçado e humilhado, o negro, jogado no porão da civilização européia, perdeu sua identidade. Era "preciso" destruir o orgulho dessa gente para poder dominá-los, domá-los e escravizá-los. Dos Orixás eclodiu o grito de uma raça. Resgatar a auto-estima, recuperar a própria imagem passou a ser o desafio. Não implorar por migalhas, mas reconquistar a essência aviltada, sem curvar-se diante do algoz passou a ser a grande adversidade. É no lado da cultura greco-romana, que o negro mutilado em sua dignidade, recupera a beleza de sua imagem interior, a exterioridade de seus traços singulares e a leveza genial de seus movimentos. Sublimação de morada, mas triunfal resgate do Narciso Negro.

O enredo é a saga do negro. Do seqüestro em massa - extraído da terra com raiz e tudo e até o reconhecimento parcial da dança, na música, na atividade física e lamentavelmente na humildade anônima da força de trabalho de uma nova nação. Infelizmente a imagem se reflete para uns poucos, mas deverá chegar o dia em que o reflexo se ampliará, envolvendo a muitos.

Que a passarela seja a vida e não só a avenida. Hoje um desfile, amanhã um processo vencedor. Hoje uma modéstia contribuição à reflexão. Amanhã o despertar de uma consciência crítica elaborada, ampla, total e irrestrita. Certamente o espelho das almas ganhará a vertical, num movimento de total resgate da negritude.

O trágico final do Narciso grego não serve como referencial explicativo para a trajetória da raça em direção à felicidade plena. Este é o mito do Narciso Negro.

Do engenho ao ouro, do café à musicalidade em comum, da prisão ao culto sincronizado dos movimentos corpóreos, timidamente o Narciso cristalizou-se Zumbi, Xica da Silva, Machado de Assis, Carlos Gomes, João Cândido, Milton Nascimento, Pelé, e outros tantos. O Narciso Negro não se curva neste lago de incertezas. Mira o futuro, enquanto desfila no presente e sobrevive aos grilhões de uma passado que não é seu, mas da ganância insaciável, que a tudo, implacavelmente devora.

Narciso Negro é pura reflexão sobre o orgulho de ser negro no espelho da fria lâmina de exploração humana.

 

FANTASIAS


No h contedo para este opo.



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